Inara ficou alí, me olhando com um meio sorriso, esperando que eu desse os números de telefone, mas como eu ia fazer isso? Eu estava com receio, não sabia o que ela iria dizer, e não sabia ao certo se era aquilo mesmo que eu queria. Droga.
- Olga, você precisa me dizer o número pra que eu possa ligar. O quê que há?
Não respondi. Inara colocou o telefone no gancho novamente e virou-se calmamente pro meu lado, me olhou no fundo dos olhos, como se estivesse entrando na minha cabeça, respirou fundo e segurou minha mão.
- Olga querida - disse ela - hoje você me fez tomar uma decisão fundamental , então por que tanto nervosismo por causa de um simples telefonema? Como é que você é tão corajosa pra tomar decisões tão importantes, e tão medrosa pra fazer uma coisa tão simples dessa?
Pensei melhor, ela tinha razão, por que não deixar que ela ligasse? Afinal de contas era ela quem ia falar, e não eu. Soltei a mão de Inara e puxei a caixinha, quando coloquei em cima da minha perna fui logo abrindo, pra não dar tempo de me arrepender por nada. Os números estavam alí, no papelzinho pequeno, tirei e olhei, abri a boca pra dizer algo, e o que saiu foi :
- disca aí: 555-2146
.Inara sorriu, discou, esperou com o telefone no ouvido, 15 segundos e nada. Desligou. Tentou de novo, nada. Pegou o papel da minha mão, discou o outro número, de repente fez uma cara de espanto, logo em seguida iniciou uma conversa em que eu só ouvia o que ela dizia, claro! Afinal quem estava com o telefone no ouvido era ela.
- Alô? ... Oi, meu nome é Inara , e o seu? ... Sim, acontece que, espera um momentinho. Olga - disse Inara, colocando a mão no microfone do telefone - devo me passar por você? Dizer que quem achou a caixa foi uma amiga minha?
- Diga que foi você quem achou.
- Certeza?
- ... Sim .
Voltando a pôr o telefone no ouvido Inara disse:
- Acontece que eu encontrei uma caixa com dois números de telefone e uma fotografia, achei bom ligar pra saber quem é o dono e poder devolvê-la, é você? ... Ótimo! Muito bom. Então o seu nome é qual? ... Bom Cezar, como eu disse me chamo Inara, e gostaria de devolver a sua caixinha, o que me diz? ... Calma, calma, o que eu poderia fazer de ruim contra você? Se fosse um golpe como eu saberia da existência da caixa? Só quero devolvê-la, juro! ... Ok, vou anotar, um momento.
Virou-se para mim fazendo gestos com as mãos, entendi que Inara queria papel e caneta, rapidamente entreguei a ela , que mais rapidamente ainda anotou o endereço do local marcado e finalizou a ligação com um '' Te encontro às 17:00 hrs, amanhã, estarei de vestido vermelho, até mais " . Desligou. Estava tudo feito, eu finalmente ia ver o rosto do bailarino tão bonito, finalmente. Já estava imaginando o tom da pele, a maciez dos cabelos e a cor dos olhos, estava sonhando feito adolescente de novo, mas espera aí, PUF, meus pensamentos foram interrompidos pelo som da voz de Inara me perguntando:
- Olga, você vai ou eu vou? Afinal de contas se você decidir ir, vai ter que dizer que seu nome é Inara,não é mesmo?
Ela tinha razão, o bailarino ( de nome Cezar ) achava que a pessoa que tinha encontrado a caixa era ela, e não eu, no caso, quem iria ao local seria ela, e eu ficaria de fora disso. Tudo bem, olho pra ele de longe, e depois, se Inara aceitasse, podia até me apresentar a ele, não é mesmo? Decidimos tudo, Inara iria até ele, e eu ficaria observando de longe, ficaria tudo bem, se eu fosse no lugar dela, ia ficar nervosa, ia acabar dizendo bobagens, resumindo: ia dar merda! Logo após combinarmos tudo, Inara deu um bocejo demorado e ficou se esticando toda, percebi que estava exausta, e já eram mais de 23:00 horas. Eu não tinha outra cama, nem colchonete, nem nada, a mocinha teve que se ajeitar do meu lado na cama, por mim não tinha problema algum, e pelo que vi, por ela também não.- Boa noite Olga, amanhã será um novo dia, com novos acontecimentos e novas coisas pra vivenciar.E dizendo isso, Inara fechou os olhos e virou-se, eu fiquei alí acordada, pensando no bailarino Cézar, no quanto gostaria de poder falar com ele, pensando em como eu gostaria de olhar bem fundo nos olhos dele, eu sei, mais uma vez pareço uma pré-adolescente pensando no cara ideal, mas isso era por que eu nunca tinha visto um rapaz tão bonito e bem afeiçoado. Dormir pensando nele, era a melhor parte do dia que tinha se acabado, e pelo que eu estava vendo, não tinha acabado tão ruim assim.
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