- Eu achei melhor não falar com você quando saí da lanchonete, então te segui até a sua casa.
Inara soltou esse argumento e depois me olhou como se dissesse '' e ai? Não vai me convidar pra entrar? ''. Abri a porta e deixei um longo espaço para que ela pudesse passar, na verdade eu estava paralisada, não disse nada por estar perplexa demais com a presença daquela moça em minha casa. Inara entrou, foi direto pro sofá, sentou e colocou a bolsa sobre as pernas, eu esperei 4 segundos e fechei a porta, sentei-me ao seu lado e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa a menina foi jogando uma torrente de problemas em cima de mim.
- Olga, estou passando por uma série de coisas, e te confesso que não tenho ninguém por mim, nunca pensei que abriria meu coração para alguém, mas estou aqui sentada de frente com você, querendo te contar todo o dilema da minha vida, e até esse exato momento ainda não me arrependi de ter vindo até aqui. Messias tem me chantageado, me faz dormir com ele , e fica dizendo que se eu não o fizer, me manda embora. Não tenho pra onde ir Olga, não tenho mais como me sustentar, aquele emprego é o que me mantém no meu pequeno apartamento, mesmo com aquele salário a vida anda complicada, imagina você, se ele me dispensar, o que vou fazer? Pra onde eu vou? Mas me cansei das chantagens , acho o Messias um ser repugnante, preciso de ajuda para sair dessa, preciso de você Olga, só você pode me dizer o que fazer e como agir, preciso da sua ajuda.
-Inara, me sinto até confusa com essa sua atitude de vir até aqui me contar tudo isso, mas sinceramente não sei no que posso te ajudar. Eu também trabalho alí, também vivo à mercê daquele porco maldito, dependo dalí, o que acha que posso fazer por você?
- Não quero mais ficar alí Olga, não consigo mais estar no mesmo ambiente que aquele maldito, mas não sei o que fazer, preciso dar o fora, mas preciso da grana pra viver, se eu sair daquele emprego não terei pra onde ir, o aluguel está atrasado e eu não tenho comido muito bem. Preciso de ajuda...
Eu sinceramente, não sabia o que dizer, aquilo estava insustentável. Olhei aquela moça tão angustiada, esperando uma solução vinda de mim, de mim ... Eu tinha que fazer algo, e não por ela, mas por mim, para não me sentir uma fracassada novamente, ao menos para ajudar uma pobre moça eu tinha que servir.
- Peça demissão!
Inara me olhou com o ar de espanto , depois se levantou e foi até a janela entre aberta, eu não tinha nada para dizer, me senti mal por isso, ficamos alí, em total silêncio, ela esperando que eu dissesse algo que lhe causasse conforto, e eu esperando que ela fosse embora. Até que me passou pela cabeça uma ideia meio maluca, já que eu não tinha o que dizer, e a situação estava insustentável, decidi tomar uma decisão desesperada para cortar aquele clima azedo :
- Inara, peça demissão e fique aqui comigo até que sua vida seja resolvida.
Ela me olhou com uma certa dúvida, como se quisesse ter plena certeza de que eu falava a verdade, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa me levantei e fui até o cabide, peguei meu casaco e a convidei :
- Vamos?
- Pra onde iremos? Perguntou a moça , ainda assustada.
- Vamos pra sua casa ué, suas coisas não vão se teletransportar pra cá não é?
Ela riu, e pegou a bolsa de cima do sofá, fomos juntas até a sua casa, que não era nada perto, andamos, conversamos, até descobri que Inara fumava, na verdade, foi muito boa nossa conversa, uma conversa tranquila. Entramos no apartamento dela e eu a ajudei a arrumar uma mochila pequena, com poucas coisas. " É só pra essa noite, amanhã volto e pego as outras coisas ", justificou ela. Saímos. Ao chegarmos em casa , Inara sentou-se no sofá e ficou olhando para o chão, com um ar de tranquilidade inigualável, gostei daquilo, fui até o quarto e vi a caixinha em cima da cama, peguei e levei para a sala, disposta a contar tudo para Inara. Contei. Esperei para ver o que ela diria.
- Por que nós não ligamos agora? Sugeriu a moçoila.
- Hã? Não não Inara, eu ainda não tive essa coragem ...
- Eu ligo!
Retrucou a menina maluca, pegando o telefone e se debruçando no sofá.
- Qual é o número?
" Puta merda " , pensei .
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