Meu apartamento se situava em uma zona não muito nobre da cidade, na verdade, meu bairro era bem escroto! O prédio era amarelo, 5 andares apenas, 2 quartos em cada andar, sendo que no último, existia apenas um, no qual o dono do prédio morava . Eu morava no quarto 3, ao lado de uma senhora loira, muito baixa, que falava em tom fino e sempre se vestia com roupas rosadas, era a senhora Bulamarque, que também era viúva. No andar de baixo, havia uma mocinha, chamada Cecília, que nunca estava em casa, pois sempre foi muito estudiosa, e as horas em que não estava na faculdade, estava na biblioteca mais próxima, aperfeiçoando seus conhecimentos. Ao lado de Cecília , no apartamento 2, morava um casal muito apaixonado, Ariane e Gustavo ( ou será que era Guilherme ? ), sempre estavam juntos, sempre se abraçando e se beijando, sempre naquele clima de eterna lua-de-mel . Isso sempre me irritava bastante, não sei se era pelo fato de eu não ter um romance daquele tipo, ou se era por eu achar tudo aquilo uma grande palhaçada fingida e ensaiada. O dono do prédio se chamava Onório, era um senhor elegante, sempre muito prestativo, e quando eu, por embriaguês, esquecia de pagar o aluguel, ele gentilmente me mandava um bilhetinho que sempre dizia a mesma coisa: “Não pretendo lhe incomodar senhorita, só para lembrá-la, a data para o pagamento do aluguel já se esgotou. Lhe aguardo quando puder conversar sobre tal assunto! Tenho um bom dia“ . Eu nunca soube ao certo se o senhor Onório tinha alguma esposa, namorada ou sei lá o que. Sempre estava sozinho, com seus livros e suas plantas, cantarolando e assobiando. Meu apartamento era simples, poucos móveis, poucas roupas, pouca comida, nada de mais. Mas era o meu lugar, minhas ressacas eram curadas alí, minhas dores, mágoas, e tudo mais. Meu quarto era arrumado, eu adorava colocar incensos de lavanda por todo o canto, me fazia lembrar da casa em que cresci.
Quando entrei no prédio, pude ver senhor Onório na sua velha rotina de todos os dias, regando suas plantinhas e assoviando a mesma canção alegre de sempre. Segui para o elevador e enquanto a porta se fechava, o vi acenando com uma das mãos, ainda suja da terra. O caminho para o meu quarto nunca pareceu tão longo, o prédio parecia ter 20 andares, ao invés de 3. Quando finalmente cheguei, abri a porta do quarto, me atirei na cama sem ao menos tirar os sapatos e dormi. Sonhei com todas as coisas da minha infância, com a minha velha casa, que tinha um quintal muito grande, cheio de flores que traziam um cheiro delicioso pra dentro da sala. Lembro de sempre odiar o meu nome, Olga Ferraz, nunca me soou bem. Sonhei com meus cadernos de anotações, onde eu escrevia minhas histórias, eu sempre quis ser escritora. Acordei com o coração apertado, cheio de lembranças boas, querendo nunca mais acordar, levantei-me e fui até a cozinha, abri a geladeira procurando algo para comer, encontrei metade de uma goiabada, suco de cereja e um pedaço de bolo, que não lembro ao certo quando deixei alí. Me acomodei no sofá, e fiquei vendo TV, confortavelmente encostada sobre um travesseiro que a senhora Bulamarque fez pra mim, adormeci novamente.
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Olga Ferraz nasceu em Malta, uma cidade de interior, com poucos habitantes, onde todos se conheciam, cheia de casinhas coloridas, árvores, pequenos lagos e ladeiras que não acabavam mais. Olga teve uma infância tranqüila, filha única, sempre desejou ser escritora, escrevia seus contos em um belo caderno, estudava em uma escola só para meninas. Quando tinha 17 anos, sua mãe faleceu devido a um problema intestinal, e seu pai, perdido diante de tal tragédia, sumiu no mundo, deixando-a sozinha. Começou a trabalhar cedo, ajudava na floricultura de Dona Amália, ganhava comida, dinheiro e de vez em quando juntava pequenos buquês de flores para enfeitar a casa onde morava. Ao chegar na fase adulta, mudou-se para Bela Serra, onde empenhou-se em publicar um de seus livros, sem sucesso em nem uma das tentativas. Começou a beber para aliviar a sensação de derrota que tomava conta do seu corpo toda a vez que tomava um “ não “ como resposta, uma sensação que se tornou permanente depois de um tempo, sensação que não deixava transparecer, sempre odiou demonstrar fraqueza, não importando a situação. Arrumou um emprego em uma lanchonete, se instalou no apartamento amarelo do senhor Onório, e alí ficou, sem perspectiva de quando iria sair. Nunca deixou de escrever seus contos, e os enviava paras as editoras, acreditava que um dia iria conseguir publicar um deles.
CARAKA MINHA AMIGA E UMA BOA ESCRITORA !NOSSA TJ VC ESTA ME ORGULHANDO SERIO NOSSA !QUERO MAIS *_*
ResponderExcluir:0!TEAMO